3 de janeiro de 2010

"A identidade do professor de inglês"

QUEM É O PROFESSOR DE INGLÊS?

Comecemos pelo ideal. O professor de inglês deveria ter, além de consciência política, bom domínio do idioma (oral e escrito) e sólida formação pedagógica com aprofundamento em lingüística aplicada. Em número reduzido, temos profissionais bem formados dentro do perfil ideal que acabamos de descrever. A boa formação é, muitas vezes, fruto apenas de esforço próprio, pois os cursos de licenciatura, em geral, ensinam sobre a língua e não aprofundam conhecimentos na área específica de aprendizagem de língua estrangeira.

No entanto, dois grandes grupos de profissionais, que não se enquadram nesse perfil, compõem os dois extremos do conjunto de professores no Estado de Minas Gerais — de um lado, profissionais com fluência oral (a escrita muitas vezes deixa a desejar) adquirida através de intercâmbios culturais ou outro tipo de experiência no exterior e sem formação pedagógica; do outro lado, profissionais egressos de cursos de Letras (que lhes proporcionaram poucas oportunidades de aprender o idioma) e precária formação pedagógica. Os primeiros estão quase sempre nos cursos livres de idiomas e os segundos nas escolas de primeiro e segundo graus.

Para piorar a situação, o mercado não avalia a formação pedagógica do futuro profissional. Os concursos de magistério, na rede estadual e em muitos municípios, aboliram a prova didática. Os futuros mestres são avaliados por uma prova de múltipla escolha, muitas vezes mais simples do que a prova de língua inglesa do vestibular da UFMG, que é considerada fácil. Nos concursos, quando muito, há uma redação, mas o desempenho oral é ignorado. Ainda é comum que professores com dupla licenciatura (português-inglês) concursados para português sejam pressionados a completar sua carga didática com “aulinhas”de inglês, pois as escolas precisam cobrir a falta de professores por motivos diversos.

QUAL É A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LÍNGUA INGLESA?

Talvez a melhor pergunta seria “Qual é a de/formação do professor de língua inglesa?”

Examinamos programas de língua inglesa de 7 faculdades do interior de Minas Gerais, atualmente integradas à Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), e o resultado é indicativo da precariedade da formação de nossos professores. Foram examinados programas elaborados nos anos de 1991 a 1993 e que estavam em vigor em 1994. Pudemos constatar o seguinte: Há um total descompasso entre os objetivos propostos e os conteúdos programáticos. Apenas um deles apresentava simetria entre esses dois pontos.

  • Alguns objetivos são confusos, mal redigidos e denunciam o despreparo do professor. Como exemplo podemos citar os seguintes:
  • Domínio das estruturas básicas do idioma, através do reconhecimento das transparências lexicais.
  • Conhecimento do idioma nos seus aspectos fonológicos, fonéticos e sintáticos, com finalidade prática, tendo em vista sua identificação como meio de comunicação oral e escrita.
  • Desenvolver a capacidade de ler, falar e escrever em seus aspectos literário, científico e técnico.
  • Contato com a cultura e a psicologia própria da Língua Inglesa.

Outros são genéricos como, por exemplo: